Atitude LGBT Social

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PT-PB dá exemplo e registra candidatura de Travesti

PT-PB dá exemplo e registra candidatura de Travesti


Enquanto PT-PR retira candidatura de filiado “gay”, PT da Paraíba dá exemplo de civilidade e registra travesti para disputar vaga na ALPB

Enquanto o diretório do Partido dos Trabalhadores do Paraná cancelou a candidatura à deputada estadual da travesti Andrielly Vogue, o PT da Paraíba registrou a da travesti Fernanda Benvenutti, também a deputada estadual.

Andrielly disse que nem foi informada de que não seria mais candidata e só descobriu o fato depois que não encontrou seu nome na lista de candidatos. Ela diz que foi discriminada pelo partido por ser travesti.

Por outro lado, Fernanda Benvenutty afirma que nunca teve grandes problemas dentro do partido por ser travesti. “Sempre fui respeitada e até mesmo porque eu também me dou o respeito. Temos muitas forças dentro partido, mas nunca tive problemas em relação ao meu nome como candidata a vereadora por duas vezes e agora para deputa estadual”.

Na cota dos homens - Benvenutty só lamenta a questão da Lei 9.504/97, a chamada Lei das Cotas onde os partidos devem reservar um patamar mínimo de 30% de suas candidaturas a um dos sexos. Embora que na certidão esteja como do sexo masculino, ela defende que as travestis e transexuais sejam inseridas na cota feminina, já que possuem a identidade social de mulher. Para se candidatar a deputada estadual Fernanda foi colocada na cota dos homens.

A candidata paraibana acredita que o que aconteceu com a travesti do Paraná que não teve a candidatura registrada foi por conta das “cotas”. “O que aconteceu com a companheira lá do Paraná, acontece com todas as travestis em todos os partidos. Defendo que se abra o debate para que as cotas sejam ampliada de forma que nós travestis e transexuais pudéssemos ser inseridas na cota feminina pois a maioria das mulheres partidárias não completa a cota mínima de 30%”.

Para Fernanda Benvenutty, este ainda é um tabu dentro dos partidos que ainda são machistas, bem como muitas mulheres partidárias que lutam contra este machismo o reproduz quando se refere aceitar as travestis como femininas nas cotas. “Mas um dia venceremos estes embates na estrutura partidária. Sempre fiz este debate e continuarei a fazer, porque sou contra qualquer forma de discriminação e preconceito social e partidário”, finalizou.

A candidata à deputada estadual pelo PT-PB, Fernanda Benvenutty tem como principais bandeiras de lutas o combate as discriminações, a violência contra a mulher, crianças e adolescentes, bem como à proteção aos idosos, além da discriminação por conta de etnias e raça/cor.

“Sempre defenderei a melhoria de vida das classes menos favorecidas e discriminadas. O Brasil precisa pagar este dívida social, fazendo com que os ‘diferentes’ não sejam tratados de forma desigual para que tenhamos a igualdade social. Igualdade de oportunidades para todos (as) com educação, saúde, moradia e condições econômicas. Só assim teremos um Brasil e uma Paraíba mais justa e igualitária”, defende.

Quem é ela - Fernanda Benvenutty há 18 anos é técnica em enfermagem da Cândida Vargas e hospital de psiquiatria Juliano Moreira, militante do movimento LGBT e agente cultural. Foi líder estudantil, coroinha da igreja, artista circense (palhaço, trapezista), trabalhou em teatro, passou pela escola de samba ‘Noel Rosas’, depois ‘Última hora’ de Jaguaribe, Catedráticos do Ritmo e fundou, em 2004, a escola de ‘Império do Samba’. Também foi por muitos anos empregada doméstica e babá.

A respeito do caso da travesti do Paraná, a assessoria de imprensa do PT paranaense nega que houve discriminação. 

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